Monday, April 17, 2017

As pessoas dizem que o amor é cego.

"...porque elas não sabem o que é o amor. Só o amor tem olhos. Além do amor, tudo é cego". (Osho)

One Life. Life it well.

E a razão.

"A cabra da razão. Noventa por cento das pessoas passam noventa por cento do tempo à procura daquilo que em noventa por cento dos casos serve para absolutamente nada. A cabra da razão. E depois há o «eu bem te disse», o «se fosse eu tinha feito diferente», o abominável «foi o que eu disse». Tudo pela cabra da razão. Tudo pela besta da razão. Só os que não têm medo de não ter razão podem ser bestiais. Os que sabem que podem falhar. Os que sabem que fazem a toda a hora merda atrás de merda. Não porque querem. Não porque não tentaram. Mas apenas porque fizeram, porque arriscaram, porque deram o passo em frente quando todas as bestas que estavam à volta, cagadinhas de medo, lhes diziam para parar por ali. Antes um idiota que tenta do que um génio que aguenta". [Pedro Chagas Freitas in Prometo Falhar]

Navega, descobre tesouros.

...mas não os tires do fundo do mar, o lugar deles é lá. Admira a Lua, sonha com ela, mas não queiras trazê-la para Terra. Goza a luz do Sol, deixa-te acariciar por ele. O calor é para todos. Sonha com as estrelas, apenas sonha, elas só podem brilhar no céu. Não tentes deter o vento, ele precisa correr por toda a parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde. As lágrimas? Não as seques, elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces. O sorriso! Esse deves segurar, não o deixes ir embora, agarra-o! Quem amas? Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave! Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa. Não importa se a estação do ano muda, se o século vira, conserva a vontade de viver, não se chega a parte alguma sem ela. Abre todas as janelas que encontrares e as portas também. Persegue o sonho, mas não o deixes viver sozinho. Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho. Descobre-te todos os dias, deixa-te levar pelas tuas vontades, mas não enlouqueças por elas. Procura! Procura sempre o fim de uma história, seja ela qual for. Dá um sorriso àqueles que esqueceram como se faz isso. Olha para o lado, há alguém que precisa de ti. Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca. Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfá-los. Agoniza de dor por um amigo, só sairás dessa agonia se conseguires tirá-lo também. Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura. Arrepende-te, volta atrás, pede perdão! Não te acostumes com o que não te faz feliz, revolta-te quando julgares necessário. Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela. Se achares que precisas de voltar atrás, volta! Se perceberes que precisas seguir, segue! Se estiver tudo errado, começa novamente. Se estiver tudo certo, continua. Se sentires saudades, mata-as. Se perderes um amor, não te percas! Se o achares, segura-o! Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. "O mais é nada". [Fernando Pessoa]

A Vida que nos Cura é a mesma que nos Machuca.

Viver é a arte de saber dançar na chuva ou chorar ao sol. Parece loucura? Não é. Eu aprendi bem. Na vida, não existem apenas dias bons ou ruins. Quando estiver chovendo então, saiba deixar a chuva bater. Aprenda a sorrir e dançar entre os duros pingos. Sem falsas protecções. O mesmo vale para os dias de sol. Mesmo com tanta luz, é sempre possível sentir um vazio que nos força a chorar. Faça-o com carinho também. Sem o medo de julgamentos. Você pode achar o meu raciocínio um tanto improvável, mas eu continuo aqui. Apesar dos pesares. Vocês também. Por isso, eu sempre arrisco viver de peito tão aberto e desarmado. Nos dias de chuva ou nos de sol, eu simplesmente não suportaria o peso de falsas armaduras. Eu prefiro a liberdade. No pior dos casos, dói. Até mesmo fere a alma. Mas não se preocupe. A vida que nos machuca é a mesma que nos cura. Matheus Jacob

Às vezes é preciso parar de pensar e agir.

" É preciso passar à frente, porque aquilo que nos espera pode não esperar por nós". É.

" A Felicidade nao é o Destino, é o Durante ".

Eu, no as 9.

Confissões.

Enquanto a água se pode guardar em garrafas, as histórias não podem ser engarrafadas sem que se estraguem rapidamente.

"Têm de andar ao ar livre como os animais selvagens. Temos de as soltar para que possam correr todas nuas."

A Gratidão é Cultivar pés de Reconhecimento nas Terras do Coração.

E é com o coração Germinado que Agradeço.

O Leite só ferve quando você sai de Perto.

"Sobre as expectativas que criamos, esperando que as coisas aconteçam no nosso tempo. A vida, como o leite, não está nem aí pra sua pressa, pro seu momento, pra sua decisão. Por isso você tem que aprender a confiar. A relaxar. A tolerar as demoras. A i.g.n.o.r.a.r… Em meados dos anos 80, lá em Minas, o costume era comprar leite na porta de casa, trazido pela carroça do leiteiro, que vinha gritando “Ó o lêeeeeite!!!”. Minha mãe corria porta afora e o leite _ fresquinho, gorduroso e integral_ era despejado na leiteira para nosso consumo. Porém, era um leite impuro, não pasteurizado, e necessitava ser fervido antes de consumir. No início, minha mãe tinha um ritual no mínimo interessante para esse evento: Colocava o leite na fervura e saía de perto. Literalmente esquecia. Simplesmente I.g.n.o.r.a.v.a. É claro que o leite fervia, subia canecão acima e despencava fogão abaixo. Eu era criança, e quando via a conclusão do projeto, gritava: “Mãe!!! O leite ferveu!!! Tá secaaaannndo…” e ela vinha correndo, apavorada, soltando frases do tipo “Seja tudo pelo amor de Deus…” e desandava a limpar o fogão, o canecão, e ver o que sobrou do leite, pra tudo se repetir no dia seguinte, tradicionalmente. Até hoje não entendo o porquê desta técnica. Parecia combinado, tamanha precisão com que ocorria. Mais tarde, ela mudou de estratégia. Eu já era maiorzinha e podia ficar perto do fogo. Assim, ficava ao lado do fogão, de olho no leite esquentando pra desligar assim que a espuma subisse, impedindo que transbordasse. Foi assim que aprendi uma grande lição: O leite só ferve quando você sai de perto. Não adianta ficar sentada ao lado do fogão, fingir que não está ligando; até pegar um livro pra se distrair. É batata: ele não ferve. Parece existir um radar sinalizador capaz de dotar o leite de perspicácia e estratégia. Porque também não basta se afastar fingindo que não está nem aí. O leite percebe que é só uma estratégia. E só vai ferver ( e transbordar) se você esquecer DE FACTO. A vida gosta de surpresas e obedece à “lei do leite que transborda”: Aquilo que você espera acontecer não vai acontecer enquanto você continuar esperando. Antigamente o sofrimento era ficar em casa aguardando o telefone tocar. Não tocava. Então, pra disfarçar, a gente saía, fingia que não estava nem aí (no fundo estava), até deixava alguém de plantão. Também não tocava. Porém, quando realmente nos desligávamos, a coisa fluía, o leite fervia, a vida caminhava. Hoje, ninguém fica em casa por um telefonema, mas piorou. Tem email, msn, facebook, whatsApp, e por aí vai. O celular sempre à mão, a neurose andando com você pra todo canto. E o leite não ferve… Acontece também de você se esmerar na aparência com esperança de esbarrar no grande amor, na fulana que te desprezou, no canalha que te quer como amiga. Então ajeita o cabelo, dá um jeito pra maquiagem parecer linda e casual, capricha no perfume… e com isso faz as chances de encontrá-lo(a) na esquina despencarem. Esqueça baby. O grande amor, a fulaninha ou o canalha estão predestinados a cruzarem seu caminho nos dias de cabelo ruim, roupa esquisita e vegetal no cantinho do sorriso. Do mesmo modo, se quiser engravidar, pare de desejar. Não contabilize seu período fértil e desista de armar estratégias pro destino. Continue praticando esportes radicais, indo à balada, correndo maratonas. Na hora que ignorar de verdade, dará positivo. A vida, como o leite, não está nem aí para a sua pressa, pro seu momento, pra sua decisão. Por isso você tem que aprender a confiar. A relaxar. A tolerar as demoras. A não criar expectativas. A fazer como minha mãe: I.g.n.o.r.a.r… E lembre-se: Tem gente que prefere ser lagarta a borboleta. Sem paciência com os ciclos, destrói seu casulo antes do tempo e não aprende a voar…" Fabíola Simões

Fala-se tanto e tão mal do amor de hoje que venho aqui em sua defesa.

"Gostaria pois que me imaginassem dentro de um daqueles fatos de ferro das histórias do Quixote, de espada em punho, a trote seguro no dorso meu robusto cavalo. E o que quero dizer sobre o amor actual ao contrário desses treinadores de bancada, desses dr. Phils de trazer por casa, é que nunca o amor foi tão bom, tão puro, tão verdadeiro, tão forte, tão incondicional quanto o de agora. Pasmarão alguns, vociferão outros, mas é de espada erguida – e nada de conotações sexuais por favor – que vos digo que o amor que agora se pratica é muito melhor do que aquele que existia há não mais de 30 anos. Eu sei que há pessoas a cair das cadeiras em que me leem mas deixem-me justificar-me. Dantes, muitas das vezes, as pessoas amavam-se porque não tinham mais ninguém. Olha-se com grande admiração para o romance tórrido da sheena e do tarzan e eu pergunto-vos: mas com quem é que acham que a sheena se ia meter na selva, quando o único homem disponível era o tarzan? Quem por Deus? Com um rato lemuriano? Com um gorgulho girafa? Com a lagartixa dentuça? É fácil adivinhar com quem. E foi porque não havia outro. Se virem bem, o tarzan com aqueles modos, nem uma costureirinha da cartuxa conseguiria conquistar, quanto mais a sensual sheena. E dantes, também assim era. Isto é, eu não sei se me vou conseguir explicar, mas vou tentar. Dantes, parecia que havia poucos homens e poucas mulheres. As pessoas amavam-se uma vez na vida e pronto. Parece perfeito, não é? Mas não, não é. Era quase um sistema ditatorial. As pessoas encontravam aquele amor e mesmo que tudo aquilo acabasse, fingia-se para a vizinhança que não, para a família que estava tudo muito bem, que o amor era lindo, que os filhos são o mais importante. E no entanto, mesmo sem o fazerem no real, dormiam já em camas separadas. Mesmo dormindo juntos, em conchinha se for preciso, era em camas separadas. O amor era em camas separadas mesmo num lençol comum. E este amor – o de agora –o que agora escrevo, o que agora falo, já não vai nessa conversa, não vai não. O amor de agora, não quer saber da família, não quer saber dos vizinhos, não quer saber do mundo nem se o homem foi à lua ou não, o amor de agora, quer saber isso sim, que a pessoa que ama também o ama a ele. Ou a ela. Só isso interessa. Todos os dias, a todos os minutos. O amor de agora quer chegar mais cedo a casa para fazer amor com a sua mulher. Quer que mal ela entre na porta, não lhe seja dado tempo para pousar as coisas. O amor de agora rebola pelo corredor da casa, pela cozinha, pelas escadas do prédio, pelo imaculado tampo da máquina de lavar a roupa. O amor de agora é urgente. Digo, repito-o. Não se pode chegar a casa e ser mais importante ir comer, porque a comida está na mesa. Não, o amor de agora, não dá prioridade à comida na mesa. A comida pode esperar, o amor não. E quando digo que este amor – o amor que existe hoje – é melhor do que existia há 30 anos, digo-o porque nunca foi tão fácil encontrar alguém como nos dias de hoje. Há 30 anos não havia internet, não havia telemóvel, não havia tinder, tudo se processava com a lentidão de um daqueles comboios regionais que transportam mercadorias. Hoje um ser vivo pode apaixonar-se quase todos os dias se quiser. Pode casar-se todas as semanas. Pode divorciar-se e casar-se para o mês que vem. As tentações são tantas, é tão fácil, é tão rápido, é tão provocador e apetecível, é tão bom, que por isso defendo, que o amor actual, quando fecha os olhos a tudo isto, quando não se inquieta com as milhares de coisas que o assediam em todos os minutos, não é porque não tenha mais ninguém que a ama, é porque mais ninguém existe como ela". [Fernando Alvim]

As Amigas da Mama.

"Há quem tenha muitas amigas. Eu tenho poucas. Há quem tenha amigas que vê todas as semanas. Eu tenho amigas que fico sem ver durante meses e, às vezes, anos. Há quem tenha as amigas da escola, as amigas do trabalho, as amigas das corridas, as amigas dos copos. Eu tenho as amigas da vida. Durante anos, achei que as verdadeiras amigas são aquelas que estão presentes nos nossos piores momentos e que ficam tristes com as nossas lágrimas. Hoje, acho sobretudo, que são aquelas cujos olhos brilham com as nossas gargalhadas e que partilham connosco os nossos melhores momentos. É fácil sermos solidários quando sentimos o cheiro a sofrimento e a mágoa. Mais difícil é vermos alguém feliz e partilharmos dessa felicidade, independentemente do estado da nossa vida, sem lugar a invejas ou ciúmes. Com essas amigas, já chorei desalmadamente. Desalmadamente não, com a alma toda, com o corpo dorido, a plenos pulmões, tentando deitar para fora não apenas lágrimas, mas sobretudo angústias e tristezas… Mas são as mesmas também para quem telefono quando a vida sorri e quando a felicidade é tamanha que não cabe no peito. É para elas que mando mensagens tão vazias de conteúdo como cheias de afeto. Não lhes minto, porque sei que, quando me olham nos olhos, me veem a essência. Por isso, são também elas que perdoam as minhas ausências, com ou sem explicações, mais ou menos elaboradas. É a elas que permito conselhos e repreensões. É a elas que permito que me apontem o dedo, porque também sei que, quando é preciso, são as mãos delas que lá estão. É com elas que grito de alegria quando me dizem “vou casar” ou “és das primeiras pessoas a saber que estou grávida”. Mas é também com elas que consigo estar em silêncio, sem que isso incomode ninguém ou, simplesmente, conversar como se não as visse há dois dias, apesar de não as ver há dois anos. Há quem tenha muitas amigas. Eu tenho poucas. No feminino, sim… porque há coisas que só se passam entre mulheres e há coisas que só partilhamos não com os amigos do peito, mas sim com as amigas da mama". (Ana Jordão)

Matilde.

"O poema mais impressionante que me apareceu ontem na frente começava com o verso "Darling, you think it's love, it's just a midnight journey". Pensei que era capaz de escrever isso setenta vezes num muro, durante uma tarde inteira. Depois percebi que é março, já faz sol, não é bom passar-se um dia agarrado a uma parede. Mais vale a vida. A memória mais impressionante que me apareceu ontem, por causa do tal poema que é do Brodsky, dizia-me que o amor quando é a sério começa sempre num gaguejo. O gaguejo é que contradiz a meia-noite. Quando falei com a Inês no rádio ainda era fevereiro, fazia muito frio, a primavera parecia uma piada que ninguém mais se atreveria a contar na rua. Depois a Inês perguntou-me sobre certas cidades e eu fartei-me de gaguejar. A memória de cada homem é uma sala cheia de cordas, uma esticadas outras meio lassas, e entrar dentro dela implica sempre o tropeço. Tropeçamos nas cordas da memória do mesmo jeito que gaguejamos de madrugada, e essa reconstrução é que faz o futuro. Eu acho. A Inês também perguntou sobre as canções, foi tão difícil escolher só quatro canções, perguntou sobre o relógio invisível que todos levamos tatuado na cabeça, talvez eu esteja inventando isto ou talvez não, perguntou sobre a entrada do verão dentro do bolso de uma camisa. Gaguejei o tempo todo. As perguntas da Inês foram todas no alvo certo, por isso é que Falar Com Ela foi tão bom. Dentro de um estúdio de rádio nunca faz frio nenhum. E já agora, o poema do Brodsky acaba assim: "Olha: o que foi deixado para trás é tão escasso quanto o que sobra para a frente. Daí a lâmina do horizonte". [Matilde Campilho, sempre única, irrepetivel... igual a si própria]

Ser Livre Custa Caro.

Ser Livre Custa Coragem e Coração.

Das Caminhadas.

"Porque andei Sempre sobre os Meus Pés e Doeu-me às Vezes Viver". (Mia Couto)